Intervenções Públicas

30 de Outubro de 2017

Discurso de Abertura da Vice-Governadora do BNA, Suzana Camacho Monteiro, Feira da Poupança - "Semana da Poupança"

Excelentíssima Sra. Secretária da Juventude 
Digníssima Coordenadora do Projecto de Literacia Financeira no Ensino 
Digníssimos Membros do Conselho de Administração do Banco Nacional de Angola;
Distintos Presidentes, Administradores e Responsáveis das Instituições Financeiras Bancárias e não Bancárias;
Dignos Directores Nacionais, da casa da Juventude, Responsáveis das Escolas participantes e das Escolas vencedoras do Concurso Nacional de Ensino de Educação Financeira; 
Dignas Autoridades Tradicionais;
Dignos Encarregados de Educação e os queridos vencedores do Concurso Nacional de Educação Financeira;
Estimados Colegas e Convidados,
Minhas Senhoras e Meus Senhores;

É com imensa satisfação que procedo hoje à abertura do presente evento. A realização desta Feira na “Semana da Poupança” em alusão ao dia 31 de Outubro, dia Mundial da Poupança, enquadra-se nas celebrações do dia 05 Novembro, data comemorativa do 41.º aniversário do Banco Nacional de Angola, sob o lema “POUPAR E INVESTIR DE FORMA SEGURA”  marcando assim, uma vez mais, a relevância atribuída à temática da poupança e a contribuição que a mesma assume no bem-estar das famílias angolanas e no desenvolvimento socioeconómico do País.

Pretendemos envolver todos os parceiros na reflexão deste importante tema. Aproveitamos para relembrar sobre a necessidade dos agentes económicos juntarem-se à missão da poupança para que esta acção constitua uma prática na nossa sociedade, influenciando diferentes intervenientes económicos e instituições, tendo em conta que o futuro de todos nós começa com a poupança.  
   
A nossa aspiração é que com este evento, possamos promover ou possibilitar o maior acesso à informação de produtos e serviços financeiros adequados às necessidades de poupança, de investimento e de financiamento dos cidadãos, factor-chave na estratégia de inclusão financeira. 

Assim, o Banco Nacional de Angola pretende continuar a desenvolver estratégias que contribuam para a gestão mais eficiente do orçamento familiar e a diminuição do recurso ao sector informal de prestação de serviços financeiros, não regulamentados nem supervisionados e, por conseguinte menos seguros.
 

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES;

A função primária da intermediação financeira consiste em captar depósitos de agentes económicos com receitas superavitárias e colocá-los à disposição dos agentes deficitários, que precisam de recursos financeiros para realizarem investimentos.

As famílias ao transferirem parte do seu consumo presente para o futuro (isto é, ao efetuarem poupanças), estarão a desejar um futuro melhor. Esta atitude é importante não só a nível individual, mas também a nível colectivo, podendo contribuir para a redução da taxa de pobreza do País, na medida em que melhora a nossa condição de vida futura, garante o acesso à melhor educação, à um melhor nível de assistência médica e medicamentosa e consequentemente contribui, em grande medida, para o crescimento e desenvolvimento económico.

Poupar significa não gastar tudo o que se ganha. O hábito de poupança demonstra a responsabilidade dos indivíduos relativamente aos objectivos traçados, a sua capacidade em planear atempadamente o seu futuro, apresentando vantagens a nível individual pois permite que os indivíduos possam desenvolver projectos e precaver-se de eventos inesperados, além de proporcionar maior disciplina, tranquilidade e estabilidade no presente e no futuro das famílias, contribuindo assim para a redução dos riscos colectivos (das famílias) no futuro.

De salientar,  que o aumento dos níveis de poupança permite canalizar fundos para o financiamento do investimento e o desenvolvimento de actividades económicas sustentáveis que possam contribuir para a alcance do objectivo de diversificação da nossa economia. 

Na doutrina económica alcançou-se o consenso de que é necessário investir mais para garantir taxas mais altas de crescimento no longo prazo e, consequentemente um maior bem-estar das famílias. Estudos comparados sobre o tema, demostram que os países mais desenvolvidos são aqueles que apresentam níveis de poupança elevados. Portanto, um dos canais mais efectivos de aumentar a produção de bens e serviços da economia é estimular a poupança e por conseguinte os investimentos. Como podem verificar a POUPANÇA acaba por ser um dos requisitos fundamentais para que haja um maior bem-estar socioeconómico.

Prosseguir a conquista de um sistema financeiro mais inclusivo pressupõe o desenvolvimento de programas que disseminem a literacia financeira, aumentem a acessibilidade a rede de serviços financeiros e promovam o desenvolvimento de soluções financeiras que concorram para a melhoria da condição de vida de cada habitante.   

Neste contexto, no âmbito dos objectivos do Desenvolvimento do Milénio, melhorar o acesso aos serviços financeiros nos países em desenvolvimento tornou-se um importante objectivo das políticas públicas. Este objectivo reconhece que o crescimento económico pode ser acelerado pelo aprofundamento e alargamento dos serviços financeiros. O nosso país não é uma excepção!
  
Assim, no Plano Nacional de Desenvolvimento 2017-2022, o executivo faz menção à necessidade do sistema financeiro actuar de modo a garantir o bem-estar e o progresso económico e social das comunidades, incluindo os pequenos agricultores e detentores de micro, pequenas e médias empresas, tanto nas áreas urbanas, como nas zonas rurais, promovendo, deste modo, a contínua melhoria dos níveis de inclusão financeira no País.

É nesta senda que o Banco Nacional de Angola tem desenvolvido Políticas de Inclusão Financeira consistentes, capazes de proporcionar um ambiente favorável para as famílias lidarem com as questões financeiras, compatíveis com as diversas condições e necessidades existentes. 

Dentre as medidas empreendidas pelo Banco Nacional de Angola, podemos citar a publicação de um conjunto de normativos que regulam a protecção do consumidor de produtos e serviços financeiros, a actividade do agente bancário, os deveres gerais de informação, a uniformização e a divulgação do preçário, a estratégia de implementação do Sistema de Pagamentos Móveis em Angola, a constituição das sociedades de Microfinanças e tantas outras. 

No âmbito da estratégia de bancarização da população angolana, destacamos a criação, em 2011, das contas simplificadas direccionadas à população de menor rendimento – as contas Bankita, que permitem a abertura de contas bancárias com um valor mínimo de Cem Kwanzas (Kz 100,00), mediante a apresentação de qualquer documento de identificação pessoal. Estas contas apresentam duas naturezas, de conta à ordem e de conta à prazo. 

De assinalar que, após 6 seis anos de existência das “contas Bankita”, no I Semestre de 2017, registou-se um total de contas Bankita abertas de, aproximadamente 519.000 contas, que contribuíram em 5,9% para a Taxa de Bancarização angolana, estimada nesse período em cerca de 52%. Por outro lado, cerca de 43.000 contas já migraram para contas convencionais, tornando-se clientes com acesso à um leque mais vasto de produtos financeiros, incluindo o crédito.
Estes dados indicam que o Programa implementado pelo BNA para a abertura das “Contas Bankita”, pelas suas características e requisitos mínimos, tem servido de canal de acesso ao sistema financeiro bancário, permitindo a captação da poupança e a integração deste segmento da população no sistema financeiro bancário, capaz de impactar positivamente sobre o financiamento das actividades económicas.
Em termos globais, os depósitos constituem a maior fonte de captação de recursos das Instituições Financeiras Bancárias, representando cerca de 80% do passivo total. Esta tendência representa um factor positivo na medida em que abre uma oportunidade para que o sistema bancário possa criar cada vez mais produtos e serviços de captação de poupanças inovadoras. 

Não podemos deixar de citar as iniciativas específicas no âmbito da educação e inclusão financeira, nomeadamente, as campanhas de sensibilização e formação financeira, tais como as palestras, a elaboração e divulgação de folhetos informativos, os fóruns internacionais de inclusão financeira, os meios de formação financeira à distância - o Portal da Provedoria do Consumidor de Produtos e Serviços Financeiros, e, sublinhar as iniciativas nas escolas, tais como, o Projecto de Inserção de Conteúdos de Literacia Financeira no Sistema de Ensino Angolano.

A parceria entre o Banco Nacional de Angola e o Ministério da Educação, ao assumirem na plenitude a responsabilidade desta árdua tarefa, procurou responder condignamente aos desafios e às expectativas que permitiram que o Projecto de Inserção de Conteúdos de Literacia Financeira no Sistema de Ensino se tornasse uma realidade. 

O Projecto de Inserção de Conteúdos de Literacia Financeira no Sistema nacional de ensino, envolveu escolas públicas dos vários subsistemas, nomeadamente Ensino Geral, Técnico Profissional e Formação de Professores, que já implementam o Projecto. Actualmente, o Banco Nacional de Angola e o Ministério da Educação têm acompanhado as estatísticas preliminares do monitoramento do referido Projecto ocorrido de Maio a Julho de 2017, à nível Nacional, com uma cobertura da formação na ordem dos 3.261 Professores e de 302.387 alunos da 7ª à 12ª Classe. Entendemos que, a transmissão de conteúdos da Literacia Financeira às crianças e aos jovens do nosso País, contribui para que tenhamos uma geração de adultos melhor preparada no que respeita à administração dos seus recursos financeiros e à relação com o sistema financeiro.

Trata-se de um processo, que culmina com a atribuição do prémio do Concurso Escolar Nacional de Educação Financeira. É assim que, hoje temos a es satisfação de ter conosco os 3 (três) primeiros classificados, provenientes das seguintes províncias: 

  • Zaire, orgulho nacional da atribuição de classificação como Património Cultural da Humanidade; 
  • Namibe, 
  • e Cunene, 

CAROS CONVIDADOS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES  

A parceria entre o Banco Nacional de Angola e o Ministério da Educação terá continuidade, inaltecendo-se a importância do Ensino da Literacia Financeira em Angola, motivando os jovens e os adolescentes, a elevarem os conhecimentos e as habilidades essenciais para a gestão das finanças no seu quotidiano, incluindo os hábitos de Poupança. 


Por último e não menos importante, reitero que com esta feira pretendemos criar um ambiente propício e favorável para o conhecimento de algumas soluções de poupança, de produtos e serviços disponibilizados pelas instituições financeiras Angolanas, promovendo atitudes financeiras responsáveis, para estimular melhores escolhas, ponderação de custos e menores riscos.

“ À todos os agentes económicos, em particular a juventude, ao invés de guardarem em casa as suas poupanças, apelamos que depositem nos bancos pois essas poupanças individuais, que são destinadas ao investimento, suportam a economia no fomento do emprego e na promoção do crescimento e no desenvolvimento económico do País”.

Assim, declaro aberta a “Feira da Semana da Poupança”.


Muito obrigada!